domingo, 4 de outubro de 2009

ARACNÍDEOS

Iberê Thenório Do Globo Amazônia, em Manaus

Uma aranha caranguejeira de cerca de 20 cm de diâmetro foi uma das grandes atrações da feira de ciência e tecnologia montada durante a reunião da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), em Manaus.
O animal, que estava exposto no estande do Inpa (Instituto de Pesquisas da Amazônia) junto a outros aracnídeos amazônicos, era uma espécie da família dos terafosídeos, e pode chegar a até 30 cm de tamanho.

Caranguejeira da família dos terafosídeos pode chegar a 30 cm de diâmetro. Inofensiva ao ser humano, alimenta-se de pequenos animais, como ratos e sapos. Ela pode viver até 15 anos e passar seis meses sem se alimentar. Quando assustada, levanta as patas dianteiras e solta pelos irritantes. (Foto: Iberê Thenório/Globo Amazônia).

Outras espécies expostas:

As aranhas sociais são da mesma família que a viúva-negra, mas não são perigosas para o ser humano. Elas formam uma teia que parece uma nuvem. Quando um inseto cai na armadilha, atacam em grupo. (Foto: Iberê Thenório/Globo Amazônia)


A aranha-pescadora come peixes e outros animais aquáticos, como girinos e pererecas. Ela habita locais úmidos, como várzeas e matas de igapó (florestas de terrenos alagadiços). (Foto: Iberê Thenório/Globo Amazônia)

O opilião também não é aranha. Inofensivo, se alimenta de bichos muito pequenos, quase invisíveis a olho nu. Ele é um dos poucos animais que consegue habitar cavernas. (Foto: Iberê Thenório/Globo Amazônia)

Esta outra espécie de caranguejeira, do gênero aviculária, cresce muito mais do que o exemplar da foto. Ela se alimenta de filhotes de pássaros. Assim como a sua ‘prima’ da família dos terafosídeos, é inofensiva. ‘Poderia ser um bicho de estimação’, diz o biólogo Thierry Gasnier. (Foto: Iberê Thenório/Globo Amazônia)

A armadeira, também conhecida como aranha-macaca, é a única aranha realmente perigosa da exposição do Inpa. Uma picada dela pode matar uma criança ou uma pessoa que tenha alergia ao veneno. ‘De forma geral, ela evita contato’, afirma o biólogo Thierry Gasnier. (Foto: Iberê Thenório/Globo Amazônia)

O Amblypygi, apesar de ser um aracnídeo, não pertence à ordem das aranhas. Assim como os caranguejos, ele tem palpos para capturar presas. Seu primeiro par de pernas são usados como antenas. (Foto: Iberê Thenório)

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Dívida na ONU e voto perdido

Por Denise Chrispim Marin, Agencia Estado

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, admitiu que ignorava o fato de o Brasil estar inadimplente há três anos com a Organização Meteorológica Mundial (OMM), braço das Nações Unidas na discussão sobre a mudança do clima. Ele afirmou que o "Brasil tem de pagar" o valor devido superior a US$ 2,5 milhões. Com o atraso, o País perdeu seu direito ao voto na entidade, que abriu anteontem (30) uma conferência sobre o clima na qual se espera a criação de um sistema internacional de coleta e de distribuição de dados meteorológicos.
A situação provoca constrangimento, porque antecede a preparação do Brasil para atuar como um dos "pesos-pesados" na negociação da Conferência das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima, que será entre 7 e 18 de dezembro em Copenhagen, Dinamarca. Essa conferência deverá definir novos parâmetros para a redução dos gases do efeito estufa que serão adotados a partir de 2012.
A inadimplência significa um novo retrocesso ao quadro vivido pelo Itamaraty em 2003, quando o Brasil contabilizava atraso no pagamento de suas cotas em vários organismos internacionais e corria o risco de perda do direito de voto. Essa situação foi contornada por meio de negociações com o Ministério do Planejamento. Amorim também disse que iria se informar sobre o atraso dos desembolsos com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. Até o fechamento desta edição, o Planejamento não havia apresentado as razões da inadimplência e os planos para contorná-la nem havia informado se apresentara ao Itamaraty explicações sobre os atrasos.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Os maiores animais dos oceanos

Quais são os dez maiores animais marinhos?
por Yuri Vasconcelos


Quem lidera esta lista é a baleia-azul, com mais de 30 metros de comprimento, mas seguida de perto (acredite!) por uma gigantesca água-viva! Esses dois grandalhões estão entre os maiores animais que já habitaram os oceanos da Terra em todos os tempos. Para se ter uma idéia, um dos répteis marinhos mais terríveis da época dos dinossauros, o liopleurodonte, media "apenas" 25 metros. Hoje, as várias espécies de baleias dominariam quase que totalmente uma lista com as dez maiores espécies dos oceanos. Porém, na lista que você confere abaixo, apresentamos apenas a maior espécie de cada grupo animal marinho - baleias, peixes, moluscos, répteis, entre outros. Assim, dá para ter uma idéia mais geral de todos os tipos de grandes feras que habitam os mares do planeta.



Pódio das baleias



Confira quais são as três maiores espécies
Baleia-azul (Balaenoptera musculus)
30 metros
Baleia Fin (Balaenoptera physalus)
22 metros



Oceano assustador



Lula gigante, água-viva monstruosa e até um crocodilo estão entre os maiorais
1. BALEIA-AZUL - 30 metros
NOME CIENTÍFICO - Balaenoptera musculus
ONDE VIVE - Em todos os oceanos
Com 150 toneladas e cerca de 30 metros de comprimento, a baleia-azul foi duramente caçada na primeira metade do século 20. Por isso, até hoje ainda é considerada uma espécie ameaçada de extinção
2. ÁGUA-VIVA JUBA-DE-LEÃO - 30 metros
NOME CIENTÍFICO - Cyanea arctica
ONDE VIVE - Atlântico Norte
Essa água-viva tem "apenas" 2 metros de diâmetro, mas seus tentáculos atingem 30 metros, a altura de um prédio de dez andares! Ela até pode assustar pelo tamanho, mas não é das águas-vivas mais perigosas. A espécie vespa-do-mar (Chinorex fleckeri), por exemplo, é muito mais letal
3. TUBARÃO-BALEIA - 18 metros
NOME CIENTÍFICO - Rhincodon typus
ONDE VIVE - Mares temperados e quentes
Dentro do grupo dos peixes, o tubarão-baleia é o número 1, podendo chegar a ser três vezes maior que o temido tubarão-branco. Apesar do tamanho, é inofensivo para os seres humanos - ele se alimenta de plâncton, pequenos peixes e lulas
4. LULA COLOSSAL - 13 metros
NOME CIENTÍFICO - Mesonychoteuthis hamiltoni
ONDE VIVE - Antártida
A maioral entre os moluscos marinhos só foi descoberta em 1925, quando tentáculos dela foram encontrados no estômago de uma baleia cachalote. É rara de ser vista pois vive em profundidades abissais. Outra lula, a gigante-do-Pacífico (Architeuthis sp.) também pode chegar aos 13 metros
5. ORCA - 8 metros
NOME CIENTÍFICO - Orcinus orca
ONDE VIVE - Em todos os oceanos
Apesar de ser conhecida como "baleia assassina", a orca é, na verdade, um golfinho - o maior deles. Ela recebeu esse apelido por seu tamanho avantajado e por ser uma voraz predadora que caça pingüins, focas, leões-marinhos, peixes e até outros golfinhos
6. CROCODILO-POROSO - 7 metros
NOME CIENTÍFICO - Crocodylus porosus
ONDE VIVE - Oceano Índico
Por viver em rios e pântanos, o crocodilo-poroso não é um bicho exclusivamente marinho, mas ele é visto com muita freqüência em águas rasas de mares - por isso é chamado também de crocodilo-marinho. É o maior réptil encontrado em água salgada
7. ELEFANTE-MARINHO - 6,5 metros
NOME CIENTÍFICO - Mirounga SP.
ONDE VIVE - Pacífico Norte (região da Califórnia) e Antártida
O elefante-marinho é o maior animal entre os mamíferos aquáticos pinípedes - grupo que inclui as focas e as morsas. Os machos da espécie podem pesar 3,5 toneladas e são agressivos. Na hora do rango, adoram caçar peixes, lulas e polvos
8. SERPENTE MARINHA - 2,5 metros
NOME CIENTÍFICO - Laticauda semifasciata
ONDE VIVE - Mares do Sudeste Asiático e da Austrália
Existem 61 tipos de serpentes marinhas no mundo, sendo que esta espécie é uma das maiores. Seu veneno chega a ser mais poderoso do que o de cobras terrestres!
9. TARTARUGA-DE-COURO - 2,1 metros
NOME CIENTÍFICO - Dermochelys coriacea
ONDE VIVE - Mares tropicais
Maior das tartarugas-marinhas, ela pode pesar mais de 500 quilos e acredita-se que tenha surgido no planeta há mais de 1 milhão de anos. Capaz de mergulhar a 1 200 metros de profundidade, ela faz longas travessias oceânicas e só volta à costa para colocar seus ovos
10. ESTRELA-DO-MAR - 1 metro
NOME CIENTÍFICO - Evasterias echinosomo
ONDE VIVE - Pacífico Norte
Com 96 centímetros de diâmetro (maior do que o seu braço!), um exemplar dessa estrela-do-mar foi encontrado no fundo do oceano Pacífico em 1986. Existem quase 2 mil espécies desse invertebrado no mundo, mas quase todas são bem menores - têm de 20 a 30 centímetros em média

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Copa Libertadores da América


A Copa Libertadores (Taça Libertadores da América) é a principal competição de futebol interclubes da América do Sul. O torneio é organizado pela Conmebol - Confederação Sul-Americana de Futebol. As equipes mexicanas também disputam o torneio há alguns anos. A Copa Libertadores tem este nome em homenagem aos líderes da independência dos países latino-americanos.

Títulos da Copa Libertadores da América por equipe:

7 títulos - Independiente

6 títulos - Boca Juniors

5 títulos - Peñarol

4 títulos - Estudiantes

3 títulos - São Paulo, Olimpia e Nacional

2 títulos - Cruzeiro, River Plate, Grêmio e Santos

1 título - LDU, Internacional, Once Caldas, Palmeiras, Vasco, Vélez Sársfield, Colo-Colo, Nacional Medellin, Argentinos Juniors, Flamengo e Racing Club

Títulos da Copa Libertadores da América por país:

22 títulos - Argentina

13 títulos - Brasil8 títulos - Uruguai

3 títulos - Paraguai

2 títulos - Colômbia1 título - Chile

1 título - Equador

Mais vice-campeonatos: Peñarol (1962, 1965, 1970 e 1983) e América de Cali (1985, 1986, 1987 e 1996) - 4 vezes

Mais finais: Boca Juniors e Peñarol - 9 vezes

Mais gols numa única edição: Daniel Onega (River Plate) - 17 gols em 1966

Artilheiro de todas as edições: Alberto Spencer (Equador) - 54 gols (48 pelo Peñarol e 6 pelo Barcelona do Equador) entre 1960 a 1972

Todos os artilheiros da Copa Libertadores da América:

Ano - Artilheiros (Equipe) - Gols 1960 - Alberto Spencer (Peñarol) - 7 gols1961 - Walter Perazzo (Independiente) - 5 gols1962 - Coutinho (Santos) - 6 gols1963 - José Sanfilippo (Boca Juniors) - 7 gols1964 - Mario Rodríguez (Independiente) - 6 gols1965 - Pelé (Santos) - 7 gols1966 - Daniel Onega (River Plate) - 17 gols1967 - Norberto Raffo (Racing Club) - 14 gols1968 - Tupãzinho (Palmeiras) - 11 gols1969 - Alberto Ferrero (Wanderers) - 9 gols1970 - Francisco Bertocchi (LDU) - 9 gols1971 - Raúl Castronovo (Peñarol) - Luis Artime (Nacional) - 10 gols1972 - Toninho (São Paulo) - Teófilo Cubillas (Alianza Lima) - 6 gols1973 - Carlos Caszely (Colo-Colo) - 9 gols1974 - Terto (São Paulo) - Fernando Morena (Peñarol) - 7 gols1975 - Oswaldo Ramírez (Universitario) - 8 gols1976 - Palhinha (Cruzeiro) - 13 gols1977 - Néstor Scotta (Deportivo Cali) - 5 gols1978 - Néstor Scotta (Deportivo Cali) - Guillermo Larrosa (Alianza Lima) - 8 gols1979 - Miltão (Guarani) - J. J. Oré (Universitario) - 6 gols 1980 - Waldemar Victoriano (Nacional) - 6 gols1981 - Zico (Flamengo) - 11 gols1982 - Fernando Morena (Peñarol) - 7 gols1983 - Arsenio Luzardo (Nacional) - 8 gols1984 - Tita (Flamengo) - 8 gols1985 - Carlos Sánchez (Blooming) - 11 gols1986 - Juan Carlos De Lima (Deportivo Quito) - 9 gols1987 - Ricardo Gareca (America Cali) - 7 gols1988 - Iguarán (Millonarios) - 5 gols1989 - Carlos Aguilera (Peñarol) - Raúl Amarilla (Olimpia) - 10 gols1990 - Adriano Samaniego (Olimpia) - 7 gols1991 - Gaúcho (Flamengo) - 8 gols1992 - Palhinha (São Paulo) - 7 gols1993 - Juan Carlos Almada (Univ. Católica) - 9 gols1994 - Stalin Rivas (Minervén) - 7 gols1995 - Jardel (Grêmio) - 12 gols1996 - Anthony De Ávila (América Cali) - 11 gols1997 - Alberto Acosta (Univ. Catolica) - 11 gols1998 - Sérgio João (Bolivar) - 14 gols1999 - Fernando Baiano (Corinthians) - Victor Bonilla - Martín Zapata (Deportivo Cali) - Gauchinho - Mauro Caballero (Cerro Porteño) - 6 gols2000 - Luizão (Corinthians) - 14 gols2001 - Lopes (Palmeiras) - 9 gols2002 - Rodrigo Mendes (Grêmio) - 10 gols2003 - Ricardo Oliveira (Santos) - Delgado (Boca Juniors) - 9 gols2004 - Luís Fabiano (São Paulo) - 8 gols2005 - Santiago Salcedo (Cerro Porteño) - 9 gols2006 - Nilmar (Corinthians) - Borja (El Nacional) - Calderón - Pavone (Estudiantes) - Fernandão (Internacional) - Delgado - Urrutia (LDU) - Marcinho - Washington (Palmeiras) - Farías - Montenegro (River Plate) - Aloísio (São Paulo) - Quinteros (Universidad Católica) - Ereros (Vélez Sarsfield) - 5 gols2007 - Salvador Cabañas (América Mex) - 10 gols2008 - Salvador Cabañas (América Mex) - Marcelo Moreno (Cruzeiro) - 8 gols2009 - Mauro Boselli (Estudiantes) - 8 gols

Goleadores de todos os tempos

Os maiores goleadores da história
Segundo a FIFA, esta é a ordem dos maiores goleadores de todos os tempos :
Arthur Friedenreich (Brasil), 1329 gols

Pelé (Brasil), 1283

Romário (Brasil), 1002

Di Stéfano (Argentina), 893

Seeler (Alemanha) 815
Roberto Dinamite (Brasil) 748
Zico (Brasil) 692
Puskás (Hungria) 689
Flávio (Brasil) 591
McGregory (Escócia) 550

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Diabo da Tasmânia

Representado artisticamente nos desenhos da Warner bros, pelo personagem Taz, como será este animal na vida real, onde será que ele vive, quais os costumes?

O diabo-da-tasmânia (Sarcophilus harrisii) é um mamífero marsupial nativo da ilha da Tasmânia. Através do registro fóssil sabe-se que a espécie habitou também a Austrália, tendo-se extinguido no continente cerca de 400 anos antes da colonização pelos europeus. As causas do desaparecimento são desconhecidas mas pensa-se que tenha sido influenciado pela introdução do dingo. Os diabos-da-tasmânia habitam todas as regiões da ilha com preferência para florestas e são os maiores carnívoros marsupiais existentes na actualidade.
O diabo-da-tasmânia é um animal de aparência robusta, com pelagem castanha excepto na zona do peito onde tem uma mancha branca. A cabeça é relativamente grande, com orelhas arredondadas e nariz afilado. Os músculos das mandíbulas são bastante poderosos e, juntamente com os dentes molares especialmente adaptados, permitem ao diabo esmagar ossos. O tamanho destes animais varia bastante consoante o habitat e dieta, mas os maiores atingem 80 cm de comprimento e 12 kg de peso. As fêmeas são normalmente maiores que os machos.
A época de reprodução dos diabos-da-tasmânia situa-se anualmente em Março e resulta em ninhadas de 2 ou 3 crias que nascem em Abril, ao fim de 21 dias de gestação. Como na maior parte dos marsupiais, o resto do desenvolvimento dos juvenis faz-se no interior do marsúpio (a bolsa) neste caso durante os quatro meses seguintes. As crias saem pela primeira vez em Agosto-Setembro e tornam-se independentes em Dezembro. As fêmeas atingem a maturidade sexual aos dois anos.
Os diabos-da-tasmânia são predadores activos de wombats, wallabees e mamíferos placentários introduzidos (como o coelho), e ocasionalmente necrófagos. Em alturas de escassez podem também comer insectos, cobras e frutos. Estes animais contam sobretudo com a visão, o olfacto e os bigodes para localizar o alimento. São animais diurnos e solitários mas encontram outros membros da sua espécie em torno de carcaças. Nesta circunstância são extremamente agressivos e envolvem-se em lutas que deixam cicatrizes profundas com frequência. As lutas são acompanhadas de barulhentas vocalizações como grunhidos, guinchos e latidos que contribuem para a fama de ferocidade do animal. Em condições de cativeiro, os diabos-da-tasmânia organizam-se num sistema altamente hierarquizado.
Com a extinção do tigre-da-tasmânia, o diabo tornou-se no predador de topo da cadeia alimentar no seu ecossistema, mas os juvenis podem ser caçados por águias, corujas e quolls. Estes animais têm um impacto positivo no seu habitat, no controlo de espécies introduzidas de lagomorfos e roedores e na remoção de carcaças em decomposição. Podem também ser prejudiciais ao Homem quando atacam rebanhos de ovelhas.
Esta espécie foi descrita pela primeira vez em 1807 pelo naturalista George Harris, que a classificou no género Didelphis. Richard Owen reviu a classificação em 1838, incluindo o diabo no género Dasyurus. Finalmente em 1841 foi-lhe atribuído um género próprio, Sarcophilus.

História: A Gripe Espanhola

Pandemia de gripe de 1918
Por: Juliana Rocha
Transporte de soldados mortos na França. NMHM/US.

Abrigados em trincheiras, os soldados enfrentavam, além de um inimigo sem rosto, chuvas, lama, piolhos e ratos. Eram vitimados por doenças como a tifo e a febre quintana, quando não caíam mortos por tiros e gases venenosos.
Parece bem ruim, não é mesmo? Era. Mas a situação naquela Europa transformada em campo de batalha da Primeira Grande Guerra Mundial pioraria ainda mais em 1918. Tropas inteiras griparam-se, mas as dores de cabeça, a febre e a falta de ar eram muito graves e, em poucos dias, o doente morria incapaz de respirar e com o pulmões cheios de líquido.
Em carta descoberta e publicada no British Medical Journal quase 60 anos depois da pandemia de 1918-1919, um médico norte-americano diz que a doença começa como o tipo comum de gripe, mas os doentes “desenvolvem rapidamente o tipo mais viscoso de pneumonia jamais visto. Duas horas após darem entrada [no hospital], têm manchas castanho-avermelhadas nas maçãs do rosto e algumas horas mais tarde pode-se começar a ver a cianose estendendo-se por toda a face a partir das orelhas, até que se torna difícil distinguir o homem negro do branco. A morte chega em poucas horas e acontece simplesmente como uma falta de ar, até que morrem sufocados. É horrível. Pode-se ficar olhando um, dois ou 20 homens morrerem, mas ver esses pobres-diabos sendo abatidos como moscas deixa qualquer um exasperado”.


Enfermaria com gripados em Luxemburgo. NMHM/US.

A gripe espanhola – como ficou conhecida devido ao grande número de mortos na Espanha – apareceu em duas ondas diferentes durante 1918. Na primeira, em fevereiro, embora bastante contagiosa, era uma doença branda não causando mais que três dias de febre e mal-estar. Já na segunda, em agosto, tornou-se mortal.
Enquanto a primeira onda de gripe atingiu especialmente os Estados Unidos e a Europa, a segunda devastou o mundo inteiro: também caíram doentes as populações da Índia, Sudeste Asiático, Japão, China e Américas Central e do Sul.

O mal chega ao Brasil

No Brasil, a epidemia chegou ao final de setembro de 1918: marinheiros que prestaram serviço militar em Dakar, na costa atlântica da África, desembarcaram doentes no porto de Recife. Em pouco mais de duas semanas, surgiram casos de gripe em outras cidades do Nordeste, em São Paulo e no Rio de Janeiro, que era então a capital do país.

As autoridades brasileiras ouviram com descaso as notícias vindas de Portugal sobre os sofrimentos provocados pela pandemia de gripe na Europa. Acreditava-se que o oceano impediria a chegada do mal ao país. Mas, com tropas em trânsito por conta da guerra, essa aposta se revelou rapidamente um engano.
Tinha-se medo de sair à rua. Em São Paulo, especialmente, quem tinha condições deixou a cidade, refugiando-se no interior, onde a gripe não tinha aparecido. Diante do desconhecimento de medidas terapêuticas para evitar o contágio ou curar os doentes, as autoridades aconselhavam apenas que se evitasse as aglomerações.
Nos jornais multiplicavam-se receitas: cartas enviadas por leitores recomendavam pitadas de tabaco e queima de alfazema ou incenso para evitar o contágio e desinfetar o ar. Com o avanço da pandemia, sal de quinino, remédio usado no tratamento da malária e muito popular na época, passou a ser distribuído à população, mesmo sem qualquer comprovação científica de sua eficiência contra o vírus da gripe.

Imagine a avenida Rio Branco ou a avenida Paulista sem congestionamentos ou pessoas caminhando pelas calçadas. Pense nos jogos de futebol. Mas, ao invés de estádios cheios, imagine os jogadores exibindo suas habilidades em campo para arquibancadas vazias. Pois, durante a pandemia de 1918, as cidades ficaram exatamente assim: bancos, repartições públicas, teatros, bares e tantos outros estabelecimentos fecharam as portas ou por falta de funcionários ou por falta de clientes.
Pedro Nava, historiador que presenciou os acontecimentos no Rio de Janeiro em 1918, escreve que “aterrava a velocidade do contágio e o número de pessoas que estavam sendo acometidas. Nenhuma de nossas calamidades chegara aos pés da moléstia reinante: o terrível não era o número de casualidades - mas não haver quem fabricasse caixões, quem os levasse ao cemitério, quem abrisse covas e enterrasse os mortos. O espantoso já não era a quantidade de doentes, mas o fato de estarem quase todos doentes, a impossibilidade de ajudar, tratar, transportar comida, vender gêneros, aviar receitas, exercer, em suma, os misteres indispensáveis à vida coletiva”.
Durante a pandemia de 1918, Carlos Chagas assumiu a direção do Instituto Oswaldo Cruz, reestruturando sua organização administrativa e de pesquisa. A convite do então presidente da república, Venceslau Brás, Chagas liderou ainda a campanha para combater a gripe espanhola, implementando cinco hospitais emergenciais e 27 postos de atendimento à população em diferentes pontos do Rio de Janeiro.
Estima-se que entre outubro e dezembro de 1918, período oficialmente reconhecido como pandêmico, 65% da população adoeceu. Só no Rio de Janeiro, foram registradas 14.348 mortes. Em São Paulo, outras 2.000 pessoas morreram.

A evolução de um vírus mortal

Ainda hoje restam dúvidas sobre onde surgiu e o que fez da gripe de 1918 uma doença tão terrível. Estudos realizados entre as décadas de 1970 e 1990 sugerem que uma nova cepa de vírus influenza surgiu em 1916 e que, por meio de mutações graduais e sucessivas, assumiu sua forma mortal em 1918.
Essa hipótese é corroborada por outro mistério da ciência: um surto de encefalite letárgica, espécie de doença do sono que foi inicialmente associada à gripe, surgido em 1916.
As estimativas do número de mortos em todo o mundo durante a pandemia de gripe em 1918-1919 variam entre 20 e 40 milhões. Para você ter uma ideia nem os combates da primeira ou da segunda Grande Guerra Mundial mataram tanto. Cerca de 9 milhões e 200 mil pessoas morreram nos campos de batalha da Primeira Grande Guerra (1914-1918). A Segunda Guerra Mundial (1939-1945) responde pela morte de 15 milhões de combatentes.